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GLOSSÁRIO SÂNSCRITO DE YOGA


Glossário de compreensão dos termos usados no Yoga Tantrico e Vedãnta.


A

a — não, partícula de negação. Exemplo: ahiṁsā, não-violência.

abhiniveśa — medo da morte, apego à vida: um dos kleśas, aflições ou misérias existenciais.

adhāma — respiração abdominal, um dos três estágios na prática do prāṇāyāma.

Adhāra — suporte, região abdominal.

Adharm — vício, pecado, transgressão do dever.

Adhibhautik — o sofrimento provocado por outrem. Um dos três modos da aflição, sobre os quais comenta Vyāsa no Yogasūtra (I:31): O sofrimento é de três tipos:

1- ādhyātmika — (aquele que está já na pessoa),

2- ādhibhautika (aquele que é infligido por outrem)

3- ādhidaivika (o que é provocado pelas forças da natureza).

Adhidaivik — miséria, dor advinda de circunstâncias exteriores: elementos atmosféricos e influências planetárias.

Ādhiṣṭhān — base, assento.

Ādhyātm — interno, interior, relativo a si mesmo.

Ādhyātmik — sentimento de sofrimento ou insatisfação consigo mesmo. Um dos três aśāntis, as três fontes de aflição.

Ād — (ou ādy, quando precedido por vogal) primeiro, primordial.

Advait — não dual. Vedānta, o ensinamento da não-separação.

Advāsan — nome de um āsana deitado de bruços com os braços estendidos à frente do corpo. Também chamado dīrghanamaskāram.

Āgam — testemunho, revelação. Escrituras nas que Śiva ensina as técnicas de Yoga à sua esposa Pārvatī. Também designa os manuais do culto védico.

Agni — o fogo, um dos cinco elementos, pañcatattva. Os elementos densos fazem parte da cosmovisão do Tantra, do Vedānta e do Sāṅkhya.

Aham — eu.

Ahaṅkār — ego, autorreferência: é referir-se aos desejos e/ou aversões,

identificando-se com elas. Um dos componentes da psiquê, citta.

Ahiṁsā — não-violência. Um dos cinco yamas, preceitos de conduta do Yoga de Patañjali.

Ajapajapa — o japa que não é japa, prática de meditação usando o mantra da

respiração, soham.

Ājña — comando.

Ājñacakra — cakra ou centro de força do intercílio.

Ākaśa — o elemento espaço. Veja aqui um texto sobre os cinco elementos e a sua purificação.

Alaṁbuśā — uma das mais importantes nāḍīs. Estende-se desde o kaṇḍa, no abdômen, até a boca.

Alasya — inatividade, ócio, imobilidade.

Amarakośa — dicionário sânscrito clássico.

Amarasiṁhaḥ — lexicógrafo e filósofo, autor do Amarakośa. Viveu entre os séculos I aC. e IV dC.

Amṛta — imortal, néctar, ambrosia, elixir, sêmen. O amṛta simboliza o poder do autoconhecimento, que dá imortalidade. O termo é usado nas Upaniṣads como sinônimo de mokṣa, liberdade, que é o objetivo do Yoga.

Anāhata — não batido. Nome do cakra cardíaco.

Ānanda — plenitude, felicidade suprema. Apenas três coisas podem ser ditas sobre quem você é realmente. Essas três coisas estão incluídas na palavra saccidānanda, que inclui ānanda: você é Realidade.

Ānandalaharī — poema esotérico do tantrismo. Veja aqui o poema original em sânscrito, acompanhado de uma tradução para o inglês.

Ananta — infinito. A serpente de mil cabeças que serve de leito a Viṣṇu no yoganidrā.

Ānavasthitatvān — instabilidade. Um dos nove obstáculos ao Yoga listados por

Patañjali no Yogasūtra.

Aṅga — parte, membro, etapa.

Annamayakośa — o físico denso, um dos três corpos do ser humano.

Antaḥkaraṇa — instrumento interior, psiquismo. É o conjunto das qualidades que determinam as experiências pessoais do homem. Segundo a Sāṅkhyakārikā, o antaḥkaraṇa compreende o ego (ahaṅkāra), a inteligência (buddhi) e o pensamento (manas).

Antara — interno, interior.

Antarāṅga — membros internos. Designa os últimos três estágios do sistema de Aṣṭāṅga Yoga de Patañjali: dhāraṇā, dhyāna e samādhi.

Antarāya — lista dos nove obstáculos ao Yoga descritos no Yogasūtrā, I:31: doença, inércia, dúvida, negligência, preguiça, volubilidade, equivocação, inconstância e instabilidade

antarmukhi — olhar para o interior. Introversão. O processo ascendente de reabsorção dos tattvas na Prakṛti, oposto a bahirmukhi, que é olhar para o exterior, e aponta para a emanação da manifestação.

Anuloma — encadeado, conectado, na ordem natural. Nome de um prāṇāyāma.

apāna — alento vital descendente, localizado no baixo ventre e na parte inferior do tronco, responsável pelos processos de excreção.

apara — inferior.

Aparigraha — não-possessividade, desapego; um dos cinco yamas do Yoga

Clássico.

Āpas — ou jāla o elemento água.

Āraṇyaka — “Livros da Floresta“, coleção de textos filosóficos contemporâneos das Upaniṣads. Foram compostos entre os anos entre 700 e 500 a.C.

Ardhanārīśvara — aspecto andrógino de Śiva, metade homem, metade mulher.

Arjuna — herói da Bhagavadgītā. Arjuna representa o arquétipo do buscador da

verdade.

Asamprājñata samādhi — samādhi “supracongitivo”, último grau de samādhi. É a.mais elevada absorção descrita por Patañjali no Yogasūtra.

Āsana — exercícios psicofísicos do Yoga.

Aṣṭāṅga — oito partes ou membros. Nome do Yoga de Patañjali.

Aśānti — as fontes da aflição: ādhyātmika, ādhibhautika e ādhidaivika. Respectivamente, aquele sofrimento que está já na pessoa, na forma da distorção na visão que ela tem de si mesma, o sofrimento causado pelos demais, e aquele que é provocado pelas forças da natureza.

Aśuddhi — impuro. Estado no qual a consciência é dominada pela miséria existencial (kleśas).

Aśviṇī — égua. Contração ritmada dos esfíncteres do ânus e da uretra. Aśviṇīmudrā é uma variação do mūlabandha.

Asmitā — senso de “eu sou” (asma). Também, o egotismo. Uma das aflições humanas, obstáculo ao samādhi. Segundo o Yogasūtra, é a incapacidade de distinguir entre citta e Puruṣa, a psiquê e o Ser. Noutro contexto asmitā aponta para uma forma de samādhi peculiar, na qual a pessoa aprende a distinguir o ser do ego.

Asteya — não-roubo. Um dos cinco yamas, os preceitos éticos do Yoga.

Athārvaveda — um dos quatro Vedas. O Athārvaveda é uma compilação de mantras védicos análoga ao Ṛgveda, porém mais tardia, de caráter especulativo e filosófico. Este quarto Veda contém a semente do Tantra e do sistema de saúde ayurvédico.

Ātman — Eu, Consciência, individualidade. Ātma é o Ilimitado, encarnado na forma de um corpomente limitado.

Avabhdabhūmikatva — impossibilidade de perceber a realidade devido à movimentação constante dos vṛttis, os turbilhões da consciência.

Avastha — os três estados de experiência: vigília, sono e sonho.

Avidyā — não-saber, ignorância. O maior dos obstáculos para mokṣa, pois é nele que se originam todos os outros, conforme o Yogasūtra.

Avirati — sensualidade.

Avyakta — não-manifestado.

Āyāma — expansão, extensão, dimensão, comprimento, controle. Sufixo do termo prāṇāyāma.

Āyurveda — sistema de medicina tradicional da Índia baseado no conhecimento védico.


B

Bādarayana — (c. 200 a.C.) sistematizador dos Vedas e autor do Brahmasūtra, também conhecido como Vedāntasūtra.

Baddha — ligado, entrelaçado, condicionado.

Bahiraṅga — “membros externos” do Yoga. São os cinco primeiros estágios do Pātañjala Yoga: yama, niyama, āsana, prāṇāyāma e pratyāhāra, chamados assim por oposição aos internos: dhāraṇā, dhyāna e samādhi.

Bāhya — externo.

Bandha — fecho. Contração de órgãos, plexos ou glândulas.

Bandhatraya — contração tríplice. Exercício de contração da garganta, o abdômen e os esfíncteres, simultaneamente. basti — purificação do trato intestinal.

Bhadra — virtude, virtuoso.

Bhagavadgītā — “o Canto do Senhor”, poema épico do século II d.C., inserido no Mahabhārata, escrito em forma de diálogo entre Krishna e Arjuna onde se expõem o Karma, o Jñána e o Bhakti Yoga.

Bhairava — o terrível, um dos nomes de Śiva.

Bhairavī — “aquela que aterroriza”. Outro nomes de Durgā, a esposa-força de Śiva.

Bhakta — devoto, participante.

Bhaktiyoga — Yoga devocional. Existem dois tipos de devoção: a dual e a não-dual. Na devoção dual, o objeto de devoção é diferente do sujeito que adora. Na devoção não-dual, sujeito e objeto são a mesma realidade.

Bhastrikā — fole. Nome do prāṇāyāma do sopro rápido.

Bhāva — amor, sentimento. Inclinação, intenção, existência.

Bhāvana — concentração.

Bhaya — medo.

Bheda (bhedana) — atravessar, perfurar. Sūryabheda, ou “atravessar o sol”, é o nome de um prāṇāyāma.

Bheruṇḍa — terrível. Pássaro mitológico de duas cabeças. Nome de uma mudrā.

Bhid — atravessar, perfurar.

Bhoga — experiência, gozo.

Bhrāmāra (bhrāmārī) — abelha; nome de um prāṇāyāma que é ao mesmo tempo um exercício de pratyāhāra, retração dos sentidos.

Bhrūmādhya dṛṣṭi — exercício de fixação ocular que consiste em localizar o olhar no ponto entre as sobrancelhas.

Bhūcarī — um dṛṣṭi, exercício de fixação ocular.

Bhūmi — objeto de meditação, assunto, caráter, terra.

Bhupura — cidadela, o quadrado de linhas de força que circunda alguns yantras,

símbolos utilizados para meditação.

Bhūta — elemento. Os cinco elementos densos: éter (ākaśa), ar (vāyu), fogo (agni), água (apas) e terra (pṛthivi). Também são chamados mahābhāta ou pañcatattva.

Bhūtendriya — os órgãos dos sentidos, através dos quais se obtém o conhecimento

da realidade. Também designa os dois aspectos de dṛśya, “aquilo que é visto”, i.e., o mundo que pode ser conhecido.

Bīja — semente; nome dos mantras monossilábicos que ativam os centros de força.

Bindu — ponto. O centro a partir do qual se expande o Universo no inicio do ciclo da criação. Também designa o lugar em que se unem todas as formas de manifestação da Prakṛti, a Natureza manifestada. Na linguagem tântrica designa igualmente o sêmen.

Brahmā — na mitologia hindu, o Demiurgo, Criador do Universo.

Brahmacarya — servidor de Brahmā. Coerência relacional, continência, celibato. Um dos cinco yamas, proscrições éticas do Yoga de Patañjali. Primeira das quatro fases da vida.

Brahmādvāra — o ponto pelo qual kuṇḍalinī entra na suṣumṇānāḍī.

brahmāgranthi — nó de Brahmā, primeiro dos três granthis, situado no mūlādhāracakra.

Brahman — Ser Ilimitado, Consciência Suprema.

Brāhmaṇa — membro da casta sacerdotal.

Brāhmaṇa — tratados rituais escritos pelos sacerdotes védicos entre 1000 e 800 a.C. que contém, dentre outros, o mito genésico de Prajāpati, o homem primordial.

Brahmānāḍī — canal de Brahmā. Outro nome da suṣumṇānāḍī, o meridiano central da força vital, que corre ao longo da coluna vertebral e pela qual ascende kuṇḍalinī no despertar da Força.

Brahmāraṇḍhra — orifício de Brahmā. Ponto sobre o qual o yogin exerce samyama, no centro do cérebro ou no tálamo. Enquanto alguns autores consideram este vocábulo sinônimo de suṣumṇānāḍī, para outros ele é a extremidade superior desse canal da força vital.

Buddha — acordado, desperto.

Buddhi — intelecto, inteligência. Um dos componentes da psiquê, citta, segundo o Yogasūtra de Patañjali.


C

caitanya — consciência.

Cakra — roda; centros de força do corpo sutil.

Cakṣu — visão, olhos.

Cakṣudhauti — purificação dos olhos. Ablução.

Candra — lua.

Candrabheda — “atravessar a lua”: nome de um prāṇāyāma alternado onde faz-se fluir o prāṇa pela narina de esquerda, de polaridade negativa, chamada candranāḍī ou meridiano lunar. Este respiratorio é chamado igualmente candra prāṇāyāma.

Cela — discípulo.

Cin — nome de uma mudrā utilizado durante as práticas de prāṇāyāma, muito parecido ao jñānamudrā.

Cit — perceber, conhecer, pensar, recordar, descobrir.

Citriṇī — terceiro invólucro da suṣumṇānāḍī.

Citta — o psiquismo. Sinônimo de antaḥkaraṇa. Segundo o Yogasūtra, citta possui três constituintes:

1- manas, a mente como sede dos conteúdos em forma de dúvida, disjuntiva ou dilemas,

2- ahaṅkāra ou o ego, os conteúdos em forma de autorreferência, gostos e aversões, e 3) buddhi, ou a inteligência, que é a função assertiva, que julga e afirma.

Śrī Śaṅkarācārya, na Vivekacūḍamaṇī, acrescenta ainda mais um elemento à psiquê: a memória, chamada por acaso igualmente citta: “Antaḥkaraṇa, o “órgão interno”, é chamado por quatro diferentes nomes: manas, buddhi, ahaṅkāra e citta, de acordo com suas distintas funções. Quando há um movimento de ponderação de prós e contras, isso é chamado manas, pensamento. “Buddhi é a propriedade que determina a veracidade dos objetos. Ahaṅkāra, o ego, é a identificação com o corpo como sendo o Ser. Quando acontece uma lembrança, isso é chamado chittam.”

Cittabhūmi — os elementos constituintes de citta, a psiquê: manas, ahaṅkāra e

buddhi, ou a mente, o ego e a inteligência.

Cittavṛtti — as modulações da psiquê, os movimentos da mente. Toda e qualquer atividade mental.


D

Dakṣiṇa — direito.

Dakṣiṇatantra — tantrismo branco, ou da mão direita.

Dama — controle dos sentidos. Um dos seis valores ou virtudes necessários para mokṣa, a liberdade.

Darśana — ponto de vista. Nome genérico das seis escolas filosóficas aceitas pelo hinduísmo ortodoxo. Os darśanas apresentam diferentes interpretações da

realidade, tendo como objetivo comum o acesso à liberdade. Os darśanas formam três pares complementares: Yoga e Sāṅkhya, Nyāya e Vaiśeṣika, e Mimānsā e Vedānta.

Dāurmanasya — desespero. Um dos nove obstáculos ao Yoga, segundo Patañjali.

Deva ou devatā — ser de luz, divindade ou arquétipo de identificação pessoal.

Devadatta — presente dos deuses. Um dos prāṇas, ares vitais, responsável pelo bocejo.

Devanāgarī — escrita dos deuses; o alfabeto sânscrito.

Devī — deusa, rainha, nome de Durgā ou Sarasvati.

Dhāraṇā — concentração que antecede o estado de meditação, sexto anga do Yoga de Pátañjali.

Dhāraṇī — o suporte sobre o qual se pratica samyama.

Dharma — justiça, lei humana ou social, complementar da noção de karma, lei

universal de causa e efeito.

Dhauti — grupo de técnicas de purificação das mucosas e os órgãos internos. Uma das seis ações purificadoras do Haṭhayoga, ṣaṭkarmas.

Dhyāna — meditação. Sétimo aṅga do Aṣṭāṅgayoga proposto por Patañjali no

Yogasūtra.

Dhyānāsana — nome de um grupo de ásanas para meditação.

Dhyānasthāna — suporte para a meditação. Objeto ou técnica sobre a qual se

exercita a contemplação.

Dīvya — adjetivo de deva, divino. Designa a pessoa mais altamente qualificada para as práticas do Tantra.

Draṣṭa — testemunha, consciência.

Dṛṣṭi — grupo de exercícios de fixação ocular.

Dṛśya — este termo possui três sentidos diferentes: introspeção, consciência, ou o mundo sensível.

Dṛṣ — ver.

Dugdhaneti — ṣaṭkarma ou atividade de limpeza das fossas nasais, que se faz

utilizando leite morno.

Duḥkha — dor, miséria existencial, mediocridade, conformismo, fraqueza. Um dos obstáculos ao samádhi.

Duḥkhatraya — tripla miséria existencial, ponto de partida do Sāṅkhya: o sofrimento próprio, aquele provocado por outrem e a miséria advinda de circunstâncias externas.

Durgā — “Aquela que Remove o Sofrimento”. Um dos nomes de Śakti, a esposa de Śiva. Leia a história de Durgā aqui.

Dva — o número dois.

Dvaita — dualismo.

Dveśa — aversão, desagrado. Uma das aflições humanas (kleśas), mencionada por Patañjali no Yogasūtra, II:8: duḥkhānuśayī dveṣaḥ, o que, traduzindo, quer dizer: “A aversão acompanha o sofrimento”.

Vyāsa, o comentarista de Patañjali, esclarece o ponto: “Aversão é o sentimento de oposição, rejeição ou propensão contrária à dor ou os objetos que a provocam, que surge da lembrança da dor antes experimentada”.


E

Eka — o número um.

Ekāgra — atenção concentrada em um ponto determinado.

Ekāgratā ou ekāgrya — grupo de técnicas de fixação da atenção em um ponto só.


G

Gaṇḍha — o sentido do olfato.

Gāṇḍhārī — canal da força vital que vai desde o centro do corpo sutil, chamado kaṇḍa, até o olho esquerdo.

Gaṇḍhārva — ser celestial da coorte de Śiva. Nas Purāṇas, antigas crônicas de deuses, guerreiros e yogins, os gaṇḍhārvas são os espíritos da música, seres semidivinos tremendamente poderosos.

Gaṇeśa — na mitologia, o filho de Pārvatī e Śiva, guardião das portas, senhor dos obstáculos e chefe do exército de Śiva. Gaṇeśa é a personificação dos mistérios do Tantra, senhor da sabedoria e da prosperidade. Saiba mais aqui.

Gaṅgā — o rio Ganges. Na mitologia, a deusa que personifica o rio homônimo.

Garbha — embrião, feto.

Gāyatrī — métrica de 24 sílabas. Um dos mantras mais sagrados e importantes

dentro do Yoga e da espiritualidade hindu.

Gheraṇḍa — Mestre de Yoga, autor da Gheraṇḍa Saṁhitā, texto onde se descrevem técnicas avançadas de Haṭhayoga. Leia aqui a tradução integra da Gheraṇḍa Saṁhitā para o português.

Ghrāna — olfato.

Gītā — canção. Apócope de Bhagavadgītā, a Canção de Kṛṣṇa. a Bhagavadgītā é um dos textos fundamentais do Yoga, junto com o Yogasūtra.

Gorakṣanātha — discípulo de Matsyendranātha e criador do Haṭhayoga

(pressupõe-se que tenha vivido e ensinado entre 900 e 1100 d.C.). Foi o autor do primeiro tratado sobre o tema, hoje perdido.

Gorakṣasataka — texto da tradição Nātha, de Yoga tântrico.

Graha — órgãos de apreensão: as mãos.

Granthī — nó.

Guṇa — atributo. Os estados da realidade, as três formas de manifestação que assume Prakṛti, definindo por interação o Universo manifestado. Os guṇas são três: tamas, rajas, e sattva.

Guṇatraya — o conjunto dos três gunas, as modalidades assumidas pela Prakriti (Natureza): tamas (inércia, inatividade), rajas (ação, movimento) e sattwa (harmonia, equilíbrio).

Gupta — secreto.

Guru — mestre.


H

Haṁ — som semente do viśuddhacakra, quinto centro de força, localizado na região da garganta. Faça aqui a meditação sobre este centro de força vital.

Haṁsa — cisne. Designa o princípio vital da respiração. Ver também soham.

Hastijihvā — uma das principais nāḍīs, correntes energéticas, que vai desde o

kaṇḍa, centro do corpo sutil, na base do tronco, até o olho direito.

Haṭhayoga — método de Yoga tântrico baseado no despertar da força sutil.

Hiṁsā — violência. Antítese da atitude da não-violência, ahiṁsā, primeiro preceito ético do Yoga clássico.

Hṛd — coração, a região do peito. Saudação com a mão no peito.

Hṛddhauti — purificação da região do coração.


I

Icchā — força de vontade.

Iḍā — um dos principais canais energéticos do corpo sutil, de polaridade lunar ou negativa. Ascende ao longo da coluna, desde o múládhára chakra até a narina esquerda.

Indriya — faculdades dos sentidos: audição, tato, visão, paladar e olfato.

Īśvara — “Senhor”. A palavra Īśvara aponta para o Ser Ilimitado, na forma da

totalidade da criação. Sugerimos esta leitura se quiser compreender Īśvara.

Īśvaraprānidhāna — quinto preceito (niyama) do Yoga, a entrega a Īśvara, o modelo exemplar. Īśvaraprānidhāna é entregar as ações e seus frutos ao Todo.

Īśvaraprānidhāna é a entrega dos frutos das ações ao Ser. Isso implica

compreender que não temos direito de escolha sobre os frutos das nossas ações, uma vez que eles sempre retornam para nós da maneira justa e adequada, de acordo com a lei do karma.

Īśvarakṛṣṇa — autor da Sāṅkhyakārikā (100 ou 200 d.C.), principal e mais antiga obra conhecida da escola Sámkhya, embora este sistema filosófico já existisse muito antes dele.


J

Jala — o elemento água.

Jalavasti — lavagem intestinal com água. Um dos seis ṣaṭkarmas, purificações

orgânicas.

Jalāṇḍhārabandha — contração da garganta, aproximando o queixo da parte

superior da depressão jugular, na base do pescoço.

Japa — repetição verbal ou mental de um mantra, frequentemente usando uma mālā ou colar de 108 contas para a recitação de um mantra transmitido no momento da iniciação (dīkṣa) por um guru. Outra forma de meditação muito popular é a chamada japanamaḥ, na qual se repetem os nomes das manifestações de Īśvara, como Oṁ namaḥ Śivāya, Oṁ namo Narayaṇāya, Oṁ Gaṁ Gaṇapataye namaḥ, e o conhecido mahamantra, entre outros.

O japa é a disciplina meditativa na qual repetimos um mantra. Essa repetição pode ser feita em voz alta (vaikhārī), na forma de um murmúrio (upamṣu), ou mentalmente (manasa), sendo a segunda mais potente que a primeira, e a terceira mais potente que ambas. Ele tem a virtude de nos dar foco e atentividade. Ao fazermos concentração num devattā, numa deidade, o pensamento flui em direção a ela e, naturalmente, as emoções e pensamentos se acalmam. Isso, por sua vez, nos prepara para o conhecimento. Ensina Swāmi Dayānanda: “Na prática de japa quebramos a associação livre dos pensamentos. Como o estímulo mântrico é sempre uniforme, fica fácil evitar a dispersão natural que tende a acontecer noutras situações”.

Jāti — nascimento, herança.

Jaya — vitória, interjeição de saudação.

Jihvabandha — contração da língua no palato mole.

Jīva — ser humano, ser vivo.

Jīvanmukta — o liberado vivo, aquele que alcançou a libertação pelo Yoga.

Jñāna — conhecimento. Nome de uma mudrā que consiste em unir as pontas dosdedos polegares e indicadores de cada mão, usada tanto para a prática de

prāṇāyāma quanto para a meditação. Também chamada cinmudrā.

Jñānendriya — as cinco faculdades sensoriais ou órgãos da percepção: olhos (cakṣu),ouvidos (śrotra), nariz (ghrāṇa), língua (rasana) e pele (spārśaṇa).

Jyoti — luz.

Jyotirdhyāna — técnica de meditação na luz, descrita na Gheraṇḍa Saṁhitā.


K

kaivalya — isolamento, libertação.

Kali — conflito, ferro. Kālī negra, a devoradora do tempo (kāla). Uma das manifestações de Śakti, consorte e energia de Śiva.

Kaliyuga — era dos conflitos. Momento atual da Humanidade.

Kalpa — preceito, dissolução ou aniquilação do mundo, um dia na vida de Brahmā, período de 4:320.000 anos.

Kaṇḍa — centro do corpo sutil, ponto de partida das nádís, localizado no abdômen.

Kapālabhāti — crânio brilhante. Nome da purificação das vias respiratórias.

Kapha — humor aquoso, fleuma. Um dos três humores corporais da medicina

ayurvêdica.

Kapila — codificador do Sāṅkhya e autor do Sāṅkhyasūtra.

Kāraṇa — os órgãos relacionados ao conhecimento, vontade ou emoção. Também significa causa, conduta, atitude.

Kāraṇaśārīra — corpo etérico.

Karma — ação, fazer. O resultado das ações, a lei de causa e efeito. A ação e a reaçãoconfiguram dois aspectos da mesma realidade. A noção de karma não nada tem aver com fatalismo ou determinismo (embora o efeito esteja potencialmente contido na sua causa): muito pelo contrário, é uma realidade que pode ser modificada, uma sorte de destino maleável.

Karmakriyāmana — o karma gerado no momento presente.

Karmasañhita — o karma acumulado, o saldo das ações de um indivíduo.

Karmaprarābdha — o karma que está sendo aniquilado no presente.

Karmayoga Yoga — da ação desinteressada, que visa à realização através da ação, sem considerar o seu resultado.

Karmaphala — resultado das ações.

Karmaśāya — o conjunto das impressões, ações, desejos e pensamentos passados.

Karmendriya — os cinco órgãos de ação: voz (vák), mãos (páni), pés (páda), órgãos reprodutores (upashta) e excretores (páyu).

Karṇa — ouvido, orelha.

Kaula —a mais célebre escola de tantrismo, fundada por Matsyedranatha por volta do ano 900 d.C.

Kaya — corpo.

Kevalakūṁbhaka — retenção pura, sem inspiração ou exalação. O kevalakūṁbhaka acontece no estágio mais avançado do Yoga, quando a respiração cessa, sem inspirar nem expirar (pūraka e recaka).

Khecharī — que se move no espaço. Nome de uma mudrā, que consiste em obstruir a passagem do ar pela garganta, voltando a língua para cima e para trás.

Kīrtan — canto devocional feito com acompanhamento de instrumentos musicais.

Kleśa — dor, aspecto doloroso da consciência. As cinco fontes de miséria existencial: a incultura, o egotismo, a exaltação das paixões, a aversão injustificada e o apego à vida.

Kośa — corpo, invólucro.

Kṛkāra — um dos ares vitais menores. Regula a tosse e o espirro.

Kṛṣṇa negro — Um avātara, encarnação de Vishnu.

Kriyā — atividade, ação. Designa os processos de purificação interna do organismo.

Kriyá Yoga — um ramo de Yoga. Segundo o Yogasūtra consiste em praticar juntamente as atitudes de tapas, svādhyāya e Īśvaraprānidhāna (esforço sobre si mesmo, auto estudo e entrega a Īśvara).

Kuhū — uma nāḍī, ou meridiano da força vital. Inicia no kaṇḍa, na região do abdômen, indo até os órgãos sexuais.

Kula — família. No tantrismo, designa uma linha iniciática.

Kularnava Tantra — texto tradicional do tantrismo vámachara, da escola Kaula.

kūṁbhaka ou kūṁbha cântaro — jarro de água. A retenção da respiração com os pulmões cheios de ar.

Kuṇḍa — o lugar onde reside kuṇḍalinī, na base da espinha dorsal, no múládhára chakra.

kuṇḍalinī ou kuṇḍalī — aquela que está enroscada como uma serpente. A forma na que a Shaktí primordial está presente no ser humano: a energia ígnea que permanece em estado latente na base da coluna e se manifesta através da

pulsação sexual.

Kuṇḍalinī Yoga — ramo de Yoga baseado no despertar do poder serpentino.

kūrma tartaruga — Um dos ares vitais, que controla o pestanejar.


Kūrmanāḍī — a região do coração.


L

Laghima — poder de levitação.

Lam bījamantra — que ativa o mūlādhāra cakra, cakra básico.

Lāyā — dissolução.

Lāyāyoga — um dos ramos do Yoga, baseado no despertar da energia latente, kuṇḍalinī.

Liṅgaṁ — signo, falo. Símbolo de Shiva, o poder gerador masculino. O lingam não se relaciona apenas com a sexualidade, mas também com a força vital que se manifesta nas práticas.

Liṅgaśarīra — outro nome para o sūkṣmaśarīra ou corpo sutil.


M

Mādhya — centro, meio.

Mādhyama — intermediário, médio, central.

Mahabhārata — ‘O Grande (Combate) dos Bhāratas’. Épico do hinduísmo em 100.000 versos ou ślokas, que conta o combate travado entre os Pāṇḍavas e seus primos Kauravas pelo reino de Bhārata.

Mahābhāṣya — ‘O Grande Comentário’ da gramática de Pāniṇi. Texto atribuído a Patañjali.

Mahabhúta — os grandes elementos da Natureza, cuja manifestação é o mundo físico: éter, ar, fogo, água e terra.

Mahāt — o grande, a massa energética indiferenciada, na visão dos tattvas, primeiro princípio que emana da Prakṛti, a Natureza.

Mahayuga — o conjunto das quatro eras ou yugas: kṛta (satya), treta, dvāpara e kali. Esses quatro nomes fazem referência às quatro posições possíveis nas quais pode cair um dado no popular jogo de azar indiano, caturāṅga.

Mahima siddhi — poder paranormal que consiste em aumentar de tamanho conforme o próprio desejo.

Maithuṇā — união sexual tântrica, matrimônio. Coito ritual no qual os parceiros

simulam a união cósmica entre Shiva e Shaktí.

Mālā — colar de 108 contas que se usa para contar mantras.

Manas — pensamento, cognição, o aspecto cognitivo da consciência. Mente, desejo.

Maṇḍala — diagrama geométrico empregado para a prática de meditação.

Maṇipura — cidade da jóia, nome do terceiro cakra, centro de força situado na altura do plexo solar.

Manomayakośa — corpo feito de pensamento. O corpo mental, quarto veículo de manifestação do ser humano.

Mantra — instrumento do pensamento. Vocalização de sons e ultra-sons que se faz com a finalidade de disciplinar a atividade consciente. Há mantras que constituem fórmulas de poder, isto é, que detêm a essência de certas energias que o yogin manipula nas práticas.

Mantracaitanya — consciência mântrica.

mantrin aquele que faz mantra.

Mātra — átomo, átimo, porção, medida. Unidade de contagem usada para medir o ritmo no prāṇāyāma.

Mātṛkā — mãe. Os fonemas do alfabeto sânscrito.

Matsyendranāṭha — senhor dos peixes, nome do fundador da escola Kaula e mestre de Gorakshanatha. Viveu entre os séculos IX e XII d.C.

mauna jejum verbal.

Merudaṇḍa — a coluna vertebral.

Mīmāṅsā ou Pūrva Mīmāṅsā — exame, forma, regra. Nome de uma das seis escolas tradicionais da ortodoxia hindu. O Mīmāṅsā não é um sistema filosófico

propriamente dito, mas um sistema de interpretação das escrituras védicas que

versa sobre como devem ser feitos os rituais e as cerimônias religiosas.

mokṣa libertação, liberdade, descondicionamento do ser humano, objetivo final do Yoga.

Mud — raiz da palavra mudrā, que significa magia, encanto ou satisfação.

Mudrā — selo, gesto. Nome de um conjunto de práticas características do Haṭhayoga, que consiste em manipular e conduzir a energia vital através das nāḍīs, com ointuito de despertar a força primordial, kuṇḍalinī. Essa manipulação acontece através de gestos, posturas, bandhas e visualizações. O termo também designa a linguagem gestual na dança indiana. Igualmente, aponta para a śakti, ou parceira tántrica nas práticas de maithuṇā.

Mukta — liberado. Aquele que atingiu a libertação através do Yoga.

Mūla — raiz, origem, base, início.

Mūlabandha — ativação da musculatura do assoalho pélvico, o que inclui a

contratação contínua dos esfíncteres do ânus e da uretra.

Mūla Prakṛti — a Natureza Primordial.

Mūlādhāra — centro de força situado na base da coluna vertebral, na região sacra.

Muṇi — silencioso. Asceta.

Mūrcchā — desvanecimento. Nome de um prāṇāyāma que consiste em fazer longas retenções com os pulmões cheios, até chegar mesmo à beira do desvanecimento.


N

Nāḍa — som, sonoridade, vibração sutil. O som que o yogi ouve ao meditar na

vibração interior.

Nāḍayoga — um ramo do Yoga baseado na vibração sutil dos mantras.

Nāḍī — rio, torrente. Canais do corpo sutil pelos quais flui a bioenergia.

Nāḍīśodhana — purificação das nāḍīs. Um prāṇāyāma de respiração alternada.

Nāgavāyu — ar vital responsável pelo eructo e o soluço.

Namaḥ — interjeição de saudação: saudação, entrega, reverência.

Namastê — interjeição de saudação derivada de namaḥ, termo que significa

entrega”, “reverência”. O Yoga explica que toda a criação é namarūpa, uma infindável miríade de formas e nomes, que são todos nomes e formas do único Ser, Brahman. A palavra namastê aponta então para o Ser, manifestado e presente sob todos os nomes e todas as formas, animadas e inanimadas. Sendo estes nomes e formas diferentes aspectos da manifestação de Brahman, o Ser, todas as formas de vida, bem como todas as formas inanimadas, são sagradas e dignas de respeito.

Nārāyaṇa — aquele que dorme nas águas causais, o preservador da criação, Viṣṇu.

Nasāgra ou nasikagra dṛṣṭi — exercício ocular que consiste em fixar firmemente o olhar na ponta do nariz.

Nauli — automassagem abdominal com isolamento do músculo reto. Técnica de purificação do sistema digestivo. um dos ṣaṭkarmas, processos de purificação característicos do Haṭhayoga.

Neti — lavagem das fossas nasais utilizando água morna e salgada (jālaneti) ouuma sonda de tecido ou borracha (sūtraneti). É ótimo contra males dos seios

frontais e nasais, como sinusite, enxaquecas, rinites, corizas ou resfriados e ainda favorece a saúde das regiões cerebral, cervical e escapular. Faz parte do ṣaṭkarma, o conjunto das seis purificações orgânicas do Haṭhayoga. Neti também significa “isto não”(naḥ iti). Nesse segundo sentido, a meditação na fórmula neti neti é uma das múltiplas contemplações que se fazem sobre a chamada via negativa, i.e., o caminho da negação daquilo que não se é. Nessa prática, a cada pensamento que surge na mente, o meditante repete mentalmente neti neti, para lembrar e reafirmar para si mesmo que a natureza essencial do ser transcende qualquer identificação com as formas mentais.

Nidrā — sono.

Nirālambana samādhi — samādhi sem apoio. Ver asamprājñata samādhi.

Nirañjana — sem mácula, absolutamente puro. Aquele que é inatingível pelos

guṇas, a dança dos elementos da natureza: o Ser, Ātma.

Nirbīja samādhi — samādhi sem semente. Ver asamprājñata samādhi.

Nirguṇa — sem atributos. Termo que aponta para Puruṣa ou Brahman, o Ilimitado na sua não manifestação.

Nirodha — controle, supressão, parada, cessação. No segundo sūtra do Yogasūtra de Patañjali, onde é definido o Yoga, nirodha refere-se à não identificação com os pensamentos.

Nirvicārā samādhi — samādhi reflexivo, um tipo de samprājñata samādhi, estado de profunda absorção meditativa.

Nir — sem, nada.

Nirvitarkā samādhi — samādhi não argumentativo. Grau de absorção contemplativa no qual o objeto de meditação se capta direta e integralmente, sem o auxílio de associações mentais.

Niṣedha — lei, negação, exceção. Nome de um mudrá.

Nivṛtti — satisfação, repouso. Estado de emancipação dos vrittis, as instabilidades que dão corpo à vida consciente.

Niyama — observância. As cinco prescrições de conduta do Yoga Clássico:

purificação (śaucan), contentamento (santoṣa), esforço sobre si próprio (tapas),

estudo de si mesmo e das Escrituras (svādhyāya) e consagração dos frutos das ações ao Ilimitado (Īśvaraprānidhāna).

Nyāsa — ritual tântrico no qual se procede à imposição de certas energias em

diferentes partes do corpo. Pratique aqui o Gaṇeśa Mātrikā Nyāsa.

Nyāya — método, forma. Escola filosófica hindu (darśana) que se ocupa da lógica formal e da teoria do conhecimento.


O

Ojas — poder psíquico concentrado, energia sexual sublimada.

Oṁ — símbolo do hinduísmo e do Yoga, é a vibração primordial do Universo, o mais poderoso dos mantras. É dito que ele contém o conhecimento dos Vedas e se considera o corpo sonoro do Ilimitado, Śābda Brahman. O símbolo Oṁ é o som que aponta para a presença invariável do Ilimitado. É a semente que fecunda todos os outros mantras. A Māṇḍūkyopaniṣad começa dizendo que “o Oṁ é o mundo inteiro. O passado, o presente, o futuro: tudo é o mantra Oṁ“. Oṁ é igualmente o som semente (bījamantra) que ativa o ājñacakra.

Oṅkāra — a sílaba Oṁ, traçada em devanāgarī, o alfabeto usado para escrever emsânscrito.


P

Padma — lótus. Outro nome dos cakras, centros de energia vital.

Padmāsana — postura do lótus. Nome de um āsana de meditação, no qual as

pernas se cruzam, ficando cada pé sobre a coxa oposta. O habitual é cruzar o pé esquerdo sobre o direito, mas fazer o contrário também é correto. Essa postura não deve ser mantida por longos períodos de tempo, pois pode haver uma compressão indesejável dos meniscos mediais em caso de fazer uma permanência muito prolongada.

Pañcamakāra — ritual dos cinco m ou dos cinco makára. As práticas do

Kaulacāratantra: mamsā, madhya, matsya, mudrā e maithuṇā, que utilizam carne, vinho, peixe, grãos e o ato sexual.

Pañcāgni — cinco fogos, prática de tapasya, esforço sobre si próprio que consiste em meditar rodeado de quatro fogueiras; o quinto fogo é o Sol no zênite.

Pañcatattva — os cinco elementos: éter, fogo, ar, água e terra. Outro nome do

pañcamakāra, o ritual de transgressão do tantrismo Vāmacāra, que inclui a ingestão de bebidas embriagantes e carnes, além da união sexual com orgasmo.

Pāni — mãos ou braços.

Paraśābda — som primordial.

Paramātma — Ser Supremo.

Paramparā — linha sucessória, herança. Designa o conhecimento transmitido de mestre a discípulo, geração após geração.

Parigraha — cobiça.

Pariṇāma — evolução, emanação.

Paśu — animal, ligado. Homem condicionado. Na linguagem tântrica, o homemprofano, escravo e conformista, ignorante da sua própria dimensão.

Pātañjalayoga — Rājayoga, Aṣṭāṅgayoga ou Yoga de Patañjali: yama (proscrições de conduta), niyama (prescrições), āsana (posturas físicas), prāṇāyāma (exercícios para expansão da vitalidade e comando sobre a mente), pratyāhāra (abstração sensorial), dhāraṇā (concentração), dhyāna (meditação) e samādhi (aperfeiçoamento e mestria da meditação).

Patañjali — codificador do Yoga Clássico, autor do Yoga Sútra. Calcula-se que

tenha vivido entre os séculos II a.C. e IV d.C.

Pāyu — órgãos excretores.

Piṅgalā — canal de circulação de energia no corpo sutil, de polaridade positiva ou solar. Sobe ao longo da coluna, desde o múládhára chakra até a narina direita.

Pradīpikā — luz, iluminar.

Prajāpati — o Senhor das Criaturas. Nos mitos genésicos dos textos chamados

Brāhmaṇas, o homem primordial, criado através de ascese (tapas).

Prakṛti — a Natureza, a energia primordial, causa produtora.

Prāṇa — bioenergia, energia vital, respiração, alento.

prāṇavāyu — ar vital localizado na região do peito.

Prāṇamayakośa — invólucro do corpo sutil feito de bioenergia.

Prānana — alento, respiração.

Pranava — Nome do mantra Om.

Prāṇāyāma — expansão e domínio da energia vital através de técnicas respiratórias. Quarto anga do Yoga de Pátañjali.

Praśvāsa — expirar.

Pratyāhāra — retração dos sentidos, quinto anga do Yoga de Pátañjali.

Pṛthvī — o elemento terra. Nome da Mãe Terra, também chamada Mātā Bhūmi.

Pūṇya — virtude, mérito, bondade. Ação correta, alinhada com o dharma, o bem-comum.

pūraka — o ato de inspirar.

Puruṣa — “homem”, na cosmogonia Sāṅkhya, o Ser Ilimitado, Śiva.

Pūrvamīmāṁsā — ver Mīmāṁsā.


R

rāga — apego, paixão, raiva.

Rājayoga — Yoga Clássico, codificado por Patañjali.

Rājas — movimento, mobilidade, ação, paixão. Um dos três gunas, princípios que definem por interação todo o existente.

Rājasika — que possui a natureza de rajas.

Raṁ bījamantra, som semente que ativa o maṇipuracakra.

Rāmāyāṇa Feitos de Rāma, épico transcrito por Vālmiki entre os séculos IV e III a.C., quem lhe deu a forma atual, embora a datação da obra seja desconhecida e certamente muito mais antiga. Um dos clássicos do hinduísmo, narra as aventuras de Rāma para resgatar a sua esposa Sītā das mãos do demônio Rāvanṇ, seu raptor. Conheça aqui a história do Rāmāyāṇa.

rāsa sabor, sentimento, paixão. rāsaṇa paladar, língua.

rati gozo, amor. recaka o ato da exalação. Uma das fases do pránáyáma. Ṛgveda o Veda das Estrofes. O documento literário e religioso mais antigo da

Humanidade. Primeiro dos quatro Veda, livros sagrados do hinduísmo, é uma

compilação de mais de mil hinos, que forma uma espécie de antologia recolhida entre as antigas famílias sacerdotais. Segundo estudiosos como G. Tīlak e H. Jacobi, esta obra nasceu antes do ano 4000 a.C., tendo-se submetido às diversas variações da língua ao longo do tempo. ṛṣi aquele que vê. Sábios ascetas dos tempos védicos que receberam o conhecimento revelado do Śruti, as escrituras do hinduísmo. rudragranthi nó de Rudra, terceiro granthi, localizado no ājñacakra, no intercílio, que constitui uma espécie de válvula de segurança para o despertar da energia kuṇḍalinī. rudrākṣa lágrima de Śiva, uma semente com a qual se fazem os japamala, colares de 108 contas utilizados para contagem de mantra. rūpa forma, cor. Um dos tanmátras, as qualidades sensíveis.


S

Sabījasamādhi ênstase com semente. Ver samprājñatasamādhi.

Sādhaka praticante de Yoga. sādhana prática cotidiana.

Sādhanachatuṣṭayam — o conjunto das quatro qualificações que indicam que uma pessoa está pronta e madura para assimilar corretamente o autoconhecimento:

1) nityānityavastuvivekaḥ, discernimento entre o perecedouro e o eterno,

2) phalabhogavirāgaḥ, desapego em relação aos frutos das ações,

3) śamādiṣatkasampattiḥ, o conjunto das seis virtudes:

a) śamaḥ, comando sobre a mente,

b) damaḥ, controle dos sentidos,

c) uparamaḥ, capacidade de se ater aos próprios deveres,

d) titikṣa, paciência, tolerância

e) samādhānam, capacidade de concentração, e

f) śraddhā, confiança no ensinamento, e

4) mumukṣutvam, motivação para mokṣa.

Sagarbha prāṇāyāma — exercício respiratório feito com acompanhamento mental de mantra.

Saguṇa — com atributos, qualificado, dotado de qualidades. sahasrāra padma coronário, centro de força localizado no alto da cabeça, chamado lótus das mil pétalas por causa das 972 nádís que emanam dele. sakṣi a Consciência individual, como testemunha silenciosa.

Sālambana samādhi — estado de elevada absorção meditativa, com o apoio de um objeto de contemplação. Outro nome do samprājñata samādhi. sam ou sama junto, igual.

Sāmaveda — o Veda das melodias. Recompilação de mantras sagrados do Ṛgveda, que se fazem acompanhados de notação musical. samādhi estado de profunda absorção meditativa. Em verdade, mais do que um estado, o samādhi é uma área de experiências contemplativas onde tem lugar o antaḥkaraṇaśuddhi, a purificação psíquica. O samādhi não deve ser confundido com mokṣa, a liberdade, que e o objetivo final do Yoga.

Samānavāyu — um dos cinco ares vitais, formas que assume a energia ao circular pelo organismo, localizado na parte média do tronco. Facilita a assimilação do prána e regula a digestão. samāpatti logro, conquista, absorção. Completa absorção da psiquê, quando o contemplador, o objeto contemplado e o ato da contemplação tornam-se um só. Este é o nome comum que Patañjali dá aos três últimos aṅgas ou partes do Aṣṭāṅga. Samāpatti e, assim o processo meditativo tomado como uma unidade. O outro nome desse processo que aparece no Yogasūtra é samyama, que significa ir junto.

Saṁhitā — coleção, compilação. O conjunto dos quatro Vedas.

Sāṅkhya — discernimento, número, nome de um darśana, sistema filosófico ortodoxo do hinduísmo.

Sāṅkhya Kārikā — ‘as Estrofes do Discernimento’, texto chave da cosmogonia dualista sámkhya, atribuído a Íshvarakrishna.

Sāṅkhyasūtra ou Sāmpracavaṇa — tratado sobre Sāṅkhya, atribuído ao sábio Kapila, fundador desta escola de filosofia.

Samprājñata samādhi — estado de hiperconsciência diferenciada ou com cognição, que se exerce sobre um objeto exterior. Uma das variedades de samādhi, aculminação mais profunda da experiência meditativa. O samprājñata samādhi compreende quatro formas diferentes de samādhi: savitarkā, nirvitarkā, savicāra e nirvicārā.

Saṁsāra — é a existência condicionada. Designa a experiência do mundo como algo instável, contingente e instável.

Saṁskāra — as raízes profundas dos condicionamentos humanos, de caráter kármico e inato. São as tendências subconscientes, de caráter inato e hereditário. O saṁskāra perpetua-se através das gerações por herança histórica, cultural, ou étnica, afetando todos os indivíduos.

Samyama — ir junto. No Yogasūtra, nome que Patañjali usa para referir-se às três últimas etapas do Aṣṭāṅga: concentração (dhāraṇā), meditação (dhyāna) e absorção (samādhi).

Sāndhabhāṣya — linguagem intencional, estilo de prosa em forma de enigma na qual estão redigidos alguns textos antigos.

saṅga ou saṅgaṁ — reunião. Ponto de encontro dos três rios sagrados da Índia: o Gaṅgā, o Yamuṇā e o Sarasvatī; por analogia, é também a confluência das três principais nāḍīs, īḍā, piṅgalā e suṣumṇā, na altura da garganta.

santoṣa contentamento, alegria. Um dos cinco niyamas, observâncias de conduta do Rājayoga.

Sāsmitāsamādhi — samyama sobre o buddhi, o mais elevado grau de samprājñata samādhi.

Sat — ser, verdade, realidade.

Ṣaṭcakra — o conjunto dos principais cakras, centros de força do corpo energético.

Saccidānanda — ser-consciência-plenitude, ou Consciência, realidade e amor. Essas são as únicas três palavras que podem ser usadas para apontar para o Ser, Ātma ou Puruṣa.

Sattva — equilíbrio, leveza, bondade. Um dos três gunas, princípios que interagem na manifestação da Natureza.

Sāttvika — que possui a natureza de sattva, harmonioso, equilibrado.

Satya — verdade, veracidade, um dos cinco yamas do Rājayoga.

savicārá samādhi — estado de absorção reflexiva, ou com diferenciação. Uma das modalidades de samādhi, que se caracteriza pelo conhecimento das propriedades manifestadas no objeto de meditação.

Savikalpa samādhi ver samprājñata samādhi.

Savitarká samádhi — ênstase nocional. Uma das modalidades da hiperconsciência, na qual se exerce contemplação sobre um objeto denso.

Shabda — som interior supersutil, palavra, mantra.

Shabda jñána — conhecimento do som.

Shabda-brahman — o som do Absoluto, que se percebe no estado de samádhi.

Shaiva — relativo a Shiva. Adepto do shivaísmo.

Shakta — corrente devocional do tantrismo.

Shaktí — esposa, energia, poder. Nome da consorte de Shiva. Na cosmogonia tântrica eqüivale à Prakriti, o princípio feminino, dinâmico e gerador.

Shámbhava — um dos nomes de Shiva.

Shámbhaví — fixação ocular no ponto do intercílio.

shámbhaví siddhi — clarividência.

shanka prakshálana — técnica de desintoxicação e limpeza interna que se faz

ingerindo água salgada e expelindo-a pelos intestinos.

Shankaracharya — teólogo malabar (788-820 d.C.), apologista e defensor do sistema Vedánta.

Shánti — paz.

Sháríra — corpo, invólucro.

Śaśtitantra — um tratado de Sāṅkhya.

Śāstra — repetição, escrituras sagradas dos hindus. Tratado ou conjunto de textos de uma determinada escola filosófica ou científica.

Ṣaṭkarma — as “seis ações“, o grupo das técnicas de purificação do corpo físico.

Shauchan — limpeza, purificação, um dos cinco niyamas, prescrições de conduta do Yoga Clássico.

Shava — cadáver.

Shavásana — posição de descontração na qual se pratica yoganidrá.

Shíta — murmúrio, frio, frescor.

Shitálí — refrescante. Nome de um pránáyáma.

Shítkárí — frescor, frio, nome de um pránáyáma.

Shiva — ‘o Benfeitor’. Criador mitológico do Yoga e arquétipo do praticante. Na

cosmogonia do tantrismo corresponde ao Purusha do Sámkhya, o Si, o Self.

Shiva Swárodhaya texto que descreve a fisiologia sutil do corpo, escrito em forma de diálogo entre Shiva e sua consorte.

shivalingam ou shivalinga — falo de Shiva, símbolo do princípio gerador masculino.

Shodhana — purificação. Nome de um pránáyáma.

Shrotra — audição.

Shruti — aquilo que é ouvido, revelação. Tradição oral vêdica, transcrita entre 1400 e 400 a.C. Os textos que fazem parte do Shruti incluem os Vedas, os Brahmanas, os Áranyakas e as treze primeiras Upanishads.

Shuddhi — purificação.

Shúdra — quarta casta, que inclui camponeses, artesãos e servos.

shúnya ou shúnyata — vazio.

Shúnyaka — retenção com os pulmões vazios.

Shwása — inspirar.

Siddha — perfeito, o detentor dos siddhi, poderes paranormais.

Siddhásana — uma posição de meditação.

Siddhi — poderes paranormais advindos do estado de mega consciência, que o yogin adquire ao progredir no sádhana. São formas diferentes de relacionar se com as leis da Natureza.

Sloka — estrofes de quatro ou seis versos nas quais estão redigidos os épicos.

Smriti — ‘memória’. Toda a produção literária posterior aos textos revelados do Shruti (a partir de 500 a.C. até o século V d.C.: o Vedanga (Membros do Veda: fonética, gramática, métrica, etimologia, astronomia e ritual), os Ágamas, os Puránas, o Manuvadharmashástra (Leis de Manu), as Upanishads tardias, et coetera.

so ham — eu sou isso.

O ajapa japa, — mantra que corresponde ao som da respiração, feito de forma inconsciente quando se respira.

Spársha — toque. Jñánendriya do tato.

Spárshana — tato.

Steya — roubo.

Sthirasukham — firme e agradável. Definição que Pátañjali deu aos exercícios físicos do Yoga.

Sthúla — denso, grosseiro.

Sthúla sháríra — corpo físico denso.

Súkshma sháríra — corpo sutil.

Súrya — Sol.

Sūryabheda , ou sūryabhedhana — “passar através do Sol”. Nome de um prāṇāyāma.

Suṣumṇā — a mais importante nāḍī do corpo sutil, no interior da espinha vertebral. Vai desde o mūlādhāracakra até o brahmarandhra, no centro do crânio. Habitualmente, esta nádí não conduz a bioenergia, apenas entra em atividade no momento do despertar da força kundalini.

Sushuptyávastha — estado de consciência relativo ao sono sem sonhos.

Sútra — cordão, fio, aforismo. É uma prosa concisa e enigmática, na que está escrita uma parte dos textos do hinduísmo.

Swa — si próprio, alma, força vital.

Svadharma — sua própria lei de ação. A vocação da pessoa, aquilo ao que ela se dedica.

Svādhiṣṭhāna — fundamento de si próprio. O segundo dos chakras, centros de força localizados ao longo da coluna vertebral, quatro dedos abaixo do umbigo.

Svādhyāya — compreensão de si próprio através das escrituras. Um dos cinco

niyamas, prescrições éticas do Yoga de Patañjali.

Svāhā — glória! interjeição utilizada no ritual védico do fogo.

Svāmi — mestre de si mesmo. O termo é usado para dirigir-se a uma pessoa digna do maior respeito. É igualmente usado para designar os saṁnyāsins, renunciantes que dedicam-se à libertação e a impartir as instruções sobre o ensinamento libertador.

Svāpna — a experiência do sonho, um dos três estados de consciência.

Svāpnāvaṣṭha — estado de consciência durante o sonho.

Svāra — fôlego, fluxo do alento pelas narinas. O ritmo adequado para a prática de pránáyáma. Também significa som, tom.

Svārodhaya — início do svāra (fluxo da respiração) por uma narina.

Svarūpa — com sua própria forma.

Svāstika — auspicioso, cruz, encruzilhada de caminhos. Nome de um mudrá.


T

Tamas — imobilidade, inércia. Um dos três gunas, os atributos da Natureza.

Tamāsika — que possui a natureza de tamas: quietude, inércia e estabilidade.

Tan — estender, espargir. Raiz da palavra tantra.

Tanmātra — partículas prânicas, núcleos energéticos infinitesimais que determinam e qualificam a realidade. Correspondem aos elétrons. Definem as cinco qualidades do mundo sensível, fundamento das diversas manifestações da energia: som, toque, forma, sabor e odor.

Tantra — tecido, urdidura. Pode ser traduzido como espargir o conhecimento. Sistema filosófico matriarcal e sensorial que empresta suas principais premissas do Sámkhya e do Yoga. Em outra acepção, um Tantra é um manual que expõe uma doutrina.

Tantrika — relativo ao Tantra.

Tap — arder, brilhar, queimar.

Tapas — calor, ascese, auto-superação, esforço sobre si próprio. Um dos cinco

niyamas do Yoga Clássico.

tará ou tāraka — estrela. Uma técnica de samyama que se faz concentrando-se sobre a imagem de um corpo celeste.

Tattva — princípio, realidade, verdade, faculdade. Na cosmogonia Sāṅkhya, designa os níveis em que se articula a manifestação de Prakṛti, a Natureza.

tejas ou agni — o elemento fogo.

Tra — instrumento.

Trātaka — exercícios de fixação ocular.

Traya — tríplice.

Trayī — o conjunto dos três Vedas: Ṛg, Yajur e Sāma. A tradição ortodoxa não

considera o Athārva um Veda propriamente dito, pois o conteúdo desta obra é

diferente dos outros três.

Triguṇa — o conjunto dos três guṇas (níveis de realidade): tamas, rājas e sattva.

Trikuti — o ponto entre as sobrancelhas.

Triloka — os três mundos: o celeste, o terrestre e o subterrâneo ou infernal.

Trimūrti — Brahmā, Viṣṇu Śiva tomados como uma unidade.

Triveṇī — o ponto de confluência das três principais nāḍīs, na altura da garganta.

Turīya ou turīyāvaṣṭha — quarto estado de consciência, situado além dos estados habituais (vigília, sono e sonho).


U

Udāna — sub-prāṇa localizado na região da cabeça e o pescoço.

Uḍḍīyanabandha — caminho ascendente, técnica de ativação e automassagem dos órgãos abdominais.

Ujjayī — vitorioso. Nome de um prāṇāyāma.

Ujji — vitória, vitorioso.

Upaniṣad — sentar aos pés do Mestre. Coleção de textos do hinduísmo, alguns dos quais falam sobre o Yoga. Datam do período compreendido entre 700 e 500 a.C.

Upaṣṭa — órgãos reprodutores.

Uttāma — superior. Respiração alta ou subclavicular.

Uttara Mīmāṁsā — outro nome do Vedānta.


V

Vācaspati Miśra — comentarista do Yogasūtra e da Sāṅkhyakārikā (s. IX dC).

Vairāgya — desapego.

Vaiśeṣika — um darśana ortodoxo, escola de filosofia que apresenta uma teoria

atomista segundo a qual o Universo é uma combinação fortuita e mecânica de

átomos.

Vajriṇī ou vajra — uma nāḍī, canal de energia que corre pelo interior da suṣumṇā, ao longo da coluna vertebral.

Vāk — palavra.

Karmendriya — da fala, emissão da voz.

Vam bíja — mantra do swádhisthána chakra.

Vāma — esquerdo.

Vāmacāra — tantrismo negro, ou da mão esquerda.

Varṇamālā — o alfabeto.

Vāruṇa — nome do deus védico da chuva e dos mares; por extensão, o próprio

oceano. Região corporal correspondente ao elemento água, na altura da garganta.

vāruṇī ou vāruṇa uma das principais nāḍīs, situada entre kuhū e yaśāśviṇī.

Vāsanā — perfume, desejo, ignorância, condicionamento. Impressões subconscientes, tendências ou disposições que condicionam o homem.

Vasti — lavagem que inclui dois métodos para a purificação dos intestinos: um feito com água, jala vasti e outro com ar, sthala vasti.

Váta — ar, vento, respiração.

Vátasára — um dos quatro tipos de dhauti, que consiste na limpeza dos órgãos

internos utilizando ar.

Váyu — vento, o elemento ar. No Rig Veda, deus do vento. As cinco formas que a bioenergia assume ao circular pelo organismo. Nome de um mudrá.

Veda — ‘aquilo que foi visto’, a forma de literatura mais antiga da Índia: são textos

sânscritos revelados que constituem o embasamento da tradição hindu. Os Vedas são quatro: Rig, Yajur, Sama e Atharva, datando a sua formação do quarto milênio aC.

Vedānta — a culminação do Veda. Nas palavras de Swāmi Dayānanda, “Vedānta é a solução para o problema que surge quando me vejo como um mortal imperfeito, sujeito a várias limitações. Essa é a conclusão à qual cada indivíduo chega ao julgar precipitadamente. Vedānta é o ensinamento que resolve este problema. Nessa visão, você é a solução para o problema que você sofre”.

Vicārā — deliberação, razão, questionamento, dúvida. Designa dois tipos de samādhi (estado de absorção meditativa).

Vijñānabhikṣu — um dos comentadores do Yogasūtra de Patañjali, do século XIV dC, autor do Tattvavaiśāraḍī.

Vijñānamayakośa — corpo sutil feito de conhecimento. No modelo dos cinco kośas, que aparece por primeira vez na Taittirīyopaniṣad, o vijñānamayakośa é a quarta “camada” do complexo corpo-prāṇa-psiquê.

Vikṣepa — dispersão, confusão. Os nove obstáculos ao samádhi: doença, apatia, dúvida, negligência, indolência, noções erradas, apego ao prazer, volubilidade e fracasso momentâneo.

Viloma — inverso, contrário; nome de dois exercícios respiratórios.

Viparīta — invertido.

Viparyāya — conhecimento errôneo; um dos obstáculos ao samádhi.

Vīra — herói. O iniciado no tantrismo que se caracteriza pela sua coragem ou

qualificação viril. Às vezes, é sinônimo de kaula.

Viṣṇu — na mitologia purânica, o deus da criação. Chamado igualmente Nārāyaṇa, Kṛṣṇa, Rāma, dentre outros.

Viṣṇugranthi — nó de Viṣṇu , granthi situado no anāhatacakra, centro de energia do plexo cardíaco.

Viśuddhacakra — grande purificador, centro de força localizado no plexo laríngeo, na área da garganta. Faça aqui a meditação sobre este centro de força vital

Viśvasāratantra — texto do hinduísmo onde se expõe a visão tântrica do Universo.

Viveka — discriminação, discernimento.

Vṛtti — instabilidade, movimento, turbilhão, idéia, modificação, turbulência, vórtice. A atividade consciente.

Vyāna — o ar vital ou força sutil que regula a distribuição dos outros quatro no

organismo.

Vyāsa — ver Bādarayana.


Y

Yajña — sacrifício, ritual do fogo, prática de Yoga.

Yajurveda — o Veda das fórmulas. Um dos quatro Veda: é uma compilação de regras litúrgicas com um comentário em prosa.

Yam bíjamantra do anhata chakra — o chakra cardíaco.

Yama — literalmente, controle, refreamento. As cinco prescrições de conduta, primeiro anga do Rája Yoga.

Yantra — instrumento que serve para reter. Símbolo ou diagrama utilizado na prática de meditação.

Yaśāśviṇī — uma das principais nāḍīs, que vai desde o centro do corpo sutil, chamado kaṇḍa, até o ouvido esquerdo.

Yoga — união. ‘A unidade da respiração, a consciência e os sentidos, seguida pela aniquilação de todos os conceitos: isso é o Yoga.’ Maitrāyaṇīyopaniṣad, VI:25.

Yogabhāṣya — o mais célebre comentário do Yogasūtra, atribuído a sábio Vyāsadeva.

Yogadaṇḍa — bastão de meditação, utilizado nas práticas para interromper o fluxo de prána por īḍā e piṅgalā e forçá-lo em direção ao mūlādhāracakra.

Yoganidrā — sono do yogin. Nome dado à prática de relaxamento consciente, e igualmente à experiência meditativa situada entre o sono profundo e a meditação.

Yogapāda — a senda do Yoga.

Yogin — ou yogi. Praticante de Yoga de sexo masculino.

Yogiṇī — praticante de Yoga de sexo feminino.

Yoni — vulva, órgão gerador feminino. Nascimento, origem, lar, raça.

Yoniliṅga — a união do princípio feminino com o masculino.

Yuga — idade, era cósmica. Ciclo completo de nascimento, vida e destruição do Universo. Uma era cósmica é um ciclo completo de nascimento, vida e destruição do Universo. As eras são quatro: kṛta (de ouro), treta (de prata), dvāpara (de bronze) e kali (de ferro). O conjunto destes quatro ciclos é um mahayuga. Mil mahayugas constituem um kalpa ou dia na vida de Brahmā. Brahmā vive um mahakalpa (cem anos de 360 dias cósmicos, ou seja mais de 300 bilhões de anos terrestres), que é apenas um piscar de olhos de Viṣṇu. A morte de Brahmā é o mahapralaya, a dissolução do Universo. O yoganidrā é então o aspecto microcósmico, humano, do sono de Viṣṇu.

Yuj — (também grafado yug) unir, atrelar, juntar. Raiz da palavra Yoga.

Yukta — unido. Aquele que atingiu a libertação, mokṣa.



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